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sábado, 13 de dezembro de 2008

animaizinhos solúveis

Georginho, o meu querido flatmate, resolveu comprar Sea Monkeys. (Pesquisamos na internet, e o nome em português é "Kikos Marinhos"). Cara. Sea Monkeys!! Nem sei por onde começar!..

Vejam bem, Eu adoro animaizinhos, todo mundo sabe disso. Eu quero gatinhos, cachorros, porcos-espinhos (ou seja lá qual for o plural disso), coalas, raposas, pinguins, tatus, bebês-foca e mais uma porrada de coisinhas fofas do mundo animal. Só que Sea Monkeys não se encaixam no perfil.

Pra quem não sabe o que é essa parada: foi uma febre nos anos 70, aparentemente (quer dizer, a única coisa que eu gostei nesse bicho foi a áura retrô). Vinha anunciado em revistinhas em quadrinhos, e você pedia pelo correio, e recebia uma caixa com o aquário e três pacotinhos: o purificador de água, a comida do bicho, e os ovinhos em pó. Sim. Isso mesmo. Os ovinhos em pó.

As embalagens do bicho já são o suficiente pra uns 20 posts de qualquer blog. A nossa, por exemplo, exibia atrás a cruel frase: "now you will never feel lonely again." Depois explicava, em letras menores, que quando você mostrasse pros seus coleguinhas que você tem Sea Monkeys e sabe vários fatos divertidos sobre eles, eles todos te achariam legal e viriam conversar com você. Provavelmente pra não serem processados depois que a criança percebesse que os Sea Monkeys não chegam a ser uma companhia muito interessante. Também dão a impressão de que os bichos são bem mais fofinhos e interessantes do que na realidade, mostrando eles meio humanóides num desenho tipo cartoon. Na verdade, são uns crustáceos pré-históricos usados como comida de peixe em lojas de animais. O aquário parece um Aquaplay (botei a foto de um embaixo, mas o nosso é azul). Ainda tem o bônus, ele vem com um chaveirinho-aquário, onde vc pode botar um dos bichinhos e levar com você, que nem um tamagotchi. Ah, e tudo são marcas registradas: SEA MONKEYS®. INSTANT PETS® (JURO, Instant Pets).

Eu confesso que fiquei meio surtada e com mega nojo do bicho – um ovo de crustáceo que vem em pó e se desenvolve na água, dentro da MINHA CASA?? Fiquei de frescura e proibi o menino de abrir o pacote na cozinha, e de entrar com eles na cozinha, e de mencionar a existência deles na cozinha. E eu tava meio tendo visões apocalípticas deles caindo em uma pocinha de água, desenvolvendo uma mutação louca, emergindo de lá, me matando enquanto eu durmo e destruindo Tóquio.

Então! Depois de purificar a água durante 24 horas, foi o momento da verdade: fomos todos para a sala (eu, George e meu amigo Leo, que tava hospedado aqui). Apontamos uma lâmpada para o aquário-aquaplay, abrimos o pacotinho dos ovos e jogamos dentro da água... e... TCHAN TCHARAAAAAN!!!, foi a coisa mais anticlímax do mundo. Não aconteceu absolutamente nada. As instruções, segundo o George, davam a entender que era tipo uma sopa instantânea, era só botar que eles sairiam nadando e fazendo malabarismos.
Já se passaram 4 dias, e nada dos bichos nascerem.
A essa altura, já decidimos que se ou quando eles nascerem, vamos comprar um peixinho dourado e dar os Kikos Marinhos de comida pra eles.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Homem-estatua

Agora eu caminho na beira do rio, e está sendo uma experiência muito mais prazerosa do que eu pensei que seria possível. Mas enfim, isso fica num post mais longo pra outro dia.
Mas tá. Chegando ali no London Eye, tem os turistas todos e, por consequencia, os artistas de rua que tentam ganhar trocados com os turistas. Tem sempre os homens-estátua, e as pessoas vestidas de século XVII, e os músicos (tipo o carinha do violão que toca uma versão meio chata de I fought the law), os eventuais malabaristas, etc. Muitas vezes são os mesmos, dependendo do horário em que eu vou. E eu fico imaginando como será a rotina desses caras... Aquele é o trabalho deles. Será que o cara do monociclo considera o vestido de pirata como "colega de trabalho"? Será que tem rivalidade entre as estátuas, as semi-estátuas, o caras vestido de côrte do Luiz XVI e o casal vestido de côrte do Luiz XVI só que pintado de dourado e parado como uma estátua?

Hoje eu vi uma coisa muito curiosa. Pena que eu estava sem a câmera, teria dado umas belas fotos.
Um cara andando no parque, presumo que ele fosse um homem-estátua, mas eu nunca tinha visto esse por ali antes. O que era curioso é que ele parecia um cara londrino normal saindo do trabalho: sobretudo preto-acinzentado, carregando um guarda-chuva grande da mesma cor. Só que ele também era preto-acinzentado. No rosto, na careca, etc. E ele era seguido por pombos preto-acinzentados. Foi uma cena surreal. Eu olhei, achei estranho, aquele inglês no parque verdinho, todo monocromático, sendo seguido por pombos. Weird.
Andei mais um pouco, dei meia-volta, e quando passei por ali de novo ele estava no meio de um cercadinho metálico preto-acinzentado (ele traz seu próprio cercadinho?), sentado numa caixa preta-acinzentada, toooodo coberto de pombos preto-acinzentados (será que ele rola no alpiste antes de vestir a roupa?) – pombos no cercadinho, no chão, pousados no ombro dele, na perna, no cabo do guarda-chuva... E ele parecia tão triste! Ele nem parecia se esforçar para ficar parado como as estátuas. Pelo contrário: ele estava levantando o dedo do meio para alguém que olhava!! Não consegui ver quem era. O homem-estátua estava mandando alguém tomar no cu!! E a expressão no rosto dele estava mais triste do que nunca.
Achei tudo muito curioso, dei uma risada, botei a cena na minha pastinha mental de "coisas bizarras que a gente vê por Londres", e segui meu caminho.

Mas continuei pensando no cara. Tomara que amanhã ele esteja lá de novo para eu olhar com mais calma.
Aquilo não era normal, parecia uma cena de filme, o homem preto-acinzentado, parado, coberto de pombos, todo deprimido... Parecia um conto de fantasia, ou algum filme de animação do leste europeu, que conta a história algum cara que trabalha num banco inglês (tipo o pai de família da Mary Poppins), tão preso naquela vida, tão apático e imóvel em sua rotina, que acaba sendo amaldiçoado por alguma bruxa disfarçada de velha que alimenta os pombos, tranformado em estátua humana. Ele odeia aquela vida, e toda vez que ele anda na beira do Tâmisa, da estação de Charing Cross até seu antigo banco, só por nostalgia, os turistas tiram fotos, os japoneses querem uma lembrança do homem-estátua na frente da roda-gigante, as criancinhas apontam, os pais jogam moedas, etc. E ele manda todo mundo tomar no cu. Ele não come, não trabalha, não dorme. Só vaga pela cidade, ele e os pombos que seguem aquela estátua, os pombos asquerosos que ele já cansou de tentar espantar, agora já se acostumou, até gosta deles, são sua única companhia em uma cidade que está tão acostumada a ver coisas bizarras que não estranha mais um homem preto-acinzentado arrastando seu guarda-chuva pela beira do rio.