Anteontem fui à casa da minha tia, irmã do meu pai, e ela me deu de presente algumas relíquias familiares. Uma boneca que foi da minha avó quando pequena. Uma fronha do enxoval de bebê do meu pai, onde minha avó bordou coelhinhos azuis. E o meu preferido: um caderno de receitas que foi da minha bisavó, e depois da minha avó. Tá todo caindo aos pedaços, a gente vai mandar restaurar, mas acho que dá pra dizer que esse caderno é a coisa mais preciosa que eu tenho hoje.
Minha avó Talita morreu quando eu tinha 6 anos. Era dezembro e eu estava morando em Londres. Apesar de eu ser bem novinha na época, eu me lembro muito bem dela, e de vez em quando eu morro de saudade. Na verdade não é nem tanto a saudade a partir das lembranças que eu tenho, mas dá muita saudade das coisas que eu deixei de viver porque ela morreu tão cedo. Ela era dessas donas de casa que se tivesse nascido hoje em dia certamente seria uma pessoa de muito sucesso em seja qual fosse a carreira que ela escolhesse seguir (penso em hotelaria ou design de moda, mas acho que ela seria boa em qualquer coisa). Ela cozinhava maravilhosamente bem, e costurava incrivelmente também (além de vestidos de festa incríveis pra mim, roupas de festa caipira ou fantasias de bichinho que ela inventava, ela fazia roupas pras minhas Barbies que matavam minhas amigas de inveja – lembro especialmente do vestido rodado azul com rendinhas pra minha Barbie, e da camisa florida de botão, com bolsinho e tudo, pro Ken).
Eu sempre fico pensando em como eu gostaria de ter crescido com a minha avó por perto. Eu teria adorado aprender a cozinhar com ela, eu teria adorado ir à Itália com ela, levar ela a Bologna e ao tal vilarejo de onde a avó dela veio, de navio, grávida da mãe dela. Segundo meu pai, as três cozinhavam cantando ópera (e vovó Talita cantava muito bem. É o que ele diz. Eu não ouvi, ou não me lembro). Eu teria adorado cantar com ela, e aprender italiano só pra conversar com ela, já que ela foi criada falando italiano em casa antes do meu bisavô ficar desempregado e eles se mudarem pra Minas. Um dia, em Londres (tem poucos meses, isso), vi numa feira de antiguidades um dedal de porcelana pintado com flores, e do nada fiquei com os olhos cheios d'água porque não podia levar de presente pra ela. Meio nada a ver, já que ela morreu há quase 20 anos. Mas eu tenho muita saudade da avó que eu não tive.
Eu nunca me interessei muito por aprender a cozinhar. Minha mãe cozinha super bem, mas cozinha pouco. As poucas vezes em que ela tentava me ensinar alguma tarefa doméstica, meu pai desencavava seu lado neandertal e dizia: "ah, que ótimo! Já tá mais do que na hora. Mulher tem mesmo que aprender a cozinhar. É importante, pra você poder fazer comida pro seu marido um dia". Aí eu e minha mãe tínhamos surtos feministas, eu saía da cozinha e não aprendia nada. Engraçado. Meus dois irmãos, homens, cozinham super bem, mas eu não cozinho quase nada. Mas é claro que eles não são filhos do meu pai.
Agora que eu moro sozinha to tendo que aprender a cozinhar na marra, e to descobrindo que não é tão ruim. Quer dizer, é um saco chegar da faculdade cansada e ter que fazer jantar, mas é legal comer algo que eu cozinhei. Pra quem sabe cozinhar, eu não cozinho NADA, mas pros meus padrões, to bem orgulhosa. Faço vários macarrões ótimos, e um dia me deu vontade de fazer carneiro, e eu comprei as costeletas e misturei com os ingredientes que me deu vontade e taquei na frigideira e fiz tudo no chute, e ficou bonzão, foi uma grande vitória. Vou me virando.
Meu pai vai passar 10 dias comigo em Londres agora em agosto, antes do meu novo flatmate ir morar comigo (mas isso é todo um post a parte). Eu resolvi comprar um presente de dia dos pais pra ele lá em vez de comprar aqui (lá eu já sei até o que eu vou comprar, acho que ele vai adorar, e aqui eu ia acabar dando alguma besteira só pra dizer que dei alguma coisa). Há uns 3 dias tive um ataque de carinho e resolvi fazer o tal carneiro pro meu pai no almoço de dia dos pais. Saí com a minha mãe no sábado, fomos ao açougue, compramos ingredientes, e de lá fui pra casa da minha tia, e ganhei o caderno de receitas. Foi uma surpresa.
As receitas tem o nome de quem passou, e a data em que foram anotadas. Tem uma em italiano, de um doce chamado Favetta, escrita com a caligrafia linda da minha bisavó Libera em 1936, receita passada pela minha tataravó Norma (a "vovó Nonna"). Tem uma receita de licor de leite do meu tataravô Bianco de 1922 (o maluco fascista – mas isso também é outro post). Tem receitas de doces de Campos, escritas na letra da minha avó (bom bocado, por exemplo), que suponho que tenham sido anotadas depois dela conhecer meu avô, e tem recortes de revista com receitas de mousses e coisas assim. Não tem a famosa alcachofra recheada da qual meu pai sempre fala, infelizmente, mas tem muitos bolos, doces e biscoitos, tem pizza e risoto, empadão e vatapá, pães e rocamboles, sopas e massas, tanta coisa. Não é tão gostoso quanto aprender a cozinhar com ela, mas pelo menos eu posso ter um pouquinho do sabor da minha avó me ensinando a cozinhar alguma coisa.
Resolvi até comprar um caderno e escrever minha modesta receita de cordeiro, pra um dia meus netos herdarem o meu caderno, e o da minha bisavó junto.
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segunda-feira, 11 de agosto de 2008
segunda-feira, 19 de maio de 2008
domingo no parque
Mais clima de amor!
Ontem a gente fez um piquenique em Regent's Park. Não estava sol como a previsão do tempo vinha dizendo alguns dias antes, mas pelo menos não choveu (e na véspera eu bem fiquei com medo, sábado tava um tempo horrível).
O piquenique foi muito foda!! A comida tava deliciosa. As pessoas realmente cozinharam! tinha especialidades regas e mexicanas, salgadinhos/docinhos japoneses esquisitos, paçoquinha, bolo de cenoura, PUDIM DE LEITE (melhor do mundo!!! A Monica, mexicana, que fez, só que no méxico se chama flan. Eu devo ter comido metade do pudim sozinha...), tinha guacamole feito em casa (pela turca, só pra confundir), e croissant, e pãezinhos indianos recheados, e tal. E cerveja gelada (Guinness e Stella e Carlsberg). E vinho branco e coca cola, mas eu fiquei na cerveja. E a gente jogou frisbeeball, e foi o melhor jogo do mundo. E dessa vez o fato de ter muita mulher foi ótimo, porque aí eu pude participar do jogo numa boa, porque elas também eram meio toscas que nem eu. Várias pessoas foram atingidas no rosto com o frisbee/tampa do tupperware. Mas todos sobreviveram. Teve uns esquilos doidos, uns patos que a gente importunou (tadinhos), uma bola presa na árvore, meus dois chinelos presos na árvore, uma lata de desodorante presa na árvore, uma garota grega presa na árvore (tudo isso tentando fazer a bola cair, e o maldito esquilo não colaborou).
E no final eu e mais três ainda fomos terminar a noite ouvindo ska e rockzinho no Elephant's Head em Camden.
Meu domingo foi perfeito.

Na foto, Luis tenta balançar o galho da árvore pra bola cair. Taka, no cantinho inferior direito, observa (ele subiu depois e conseguiu a façanha, e os dois conseguiram devolver também meus chinelos e o desodorante).
Ontem a gente fez um piquenique em Regent's Park. Não estava sol como a previsão do tempo vinha dizendo alguns dias antes, mas pelo menos não choveu (e na véspera eu bem fiquei com medo, sábado tava um tempo horrível).
O piquenique foi muito foda!! A comida tava deliciosa. As pessoas realmente cozinharam! tinha especialidades regas e mexicanas, salgadinhos/docinhos japoneses esquisitos, paçoquinha, bolo de cenoura, PUDIM DE LEITE (melhor do mundo!!! A Monica, mexicana, que fez, só que no méxico se chama flan. Eu devo ter comido metade do pudim sozinha...), tinha guacamole feito em casa (pela turca, só pra confundir), e croissant, e pãezinhos indianos recheados, e tal. E cerveja gelada (Guinness e Stella e Carlsberg). E vinho branco e coca cola, mas eu fiquei na cerveja. E a gente jogou frisbeeball, e foi o melhor jogo do mundo. E dessa vez o fato de ter muita mulher foi ótimo, porque aí eu pude participar do jogo numa boa, porque elas também eram meio toscas que nem eu. Várias pessoas foram atingidas no rosto com o frisbee/tampa do tupperware. Mas todos sobreviveram. Teve uns esquilos doidos, uns patos que a gente importunou (tadinhos), uma bola presa na árvore, meus dois chinelos presos na árvore, uma lata de desodorante presa na árvore, uma garota grega presa na árvore (tudo isso tentando fazer a bola cair, e o maldito esquilo não colaborou).
E no final eu e mais três ainda fomos terminar a noite ouvindo ska e rockzinho no Elephant's Head em Camden.
Meu domingo foi perfeito.

Na foto, Luis tenta balançar o galho da árvore pra bola cair. Taka, no cantinho inferior direito, observa (ele subiu depois e conseguiu a façanha, e os dois conseguiram devolver também meus chinelos e o desodorante).
terça-feira, 11 de março de 2008
rapidinhas
- Surgiu a hipótese de que o sapo da porta da academia fosse um príncipe transformado. Ufa! Desviei a tempo! Aqui na Inglaterra ainda rolam uns príncipes perdidos... Quando eu era pqeuena eu queria ser princesa porque me falaram que o Hyde Park era o jardim real, e pertencia à princesa. Eu achava aquilo o máximo, porque num jardim daquele tamanho eu ia poder ter vaaaários cachorros (minha mãe falava que eu não podia ter cachorro porque a gente morava em apartamento, a gente só poderia ter um cachorro se morasse em uma casa com jardim). Resolvi casar com um príncipe. Meu irmão me convenceu a mudar de idéia com o argumento de que ser princesa devia ser horrível porque a coroa deve ser híper pesada e desconfortável de usar. E deve, mesmo. Eu já devo ter escrito sobre isso aqui, não?
- Eu descobri que eu não odeio ficar fazendo o design de gráficos e tabelas, e isso foi uma surpresa pra mim.
- O português da minha sala sabe imitar sotaque de brasileiro. E ainda pergunta: "quer carioca ou nordestino?"
- Aparentemente o Matt Damon é mega no youtube chinês.
- "L" é uma letra com um ângulo chato. E uma caixa baixa mais chata ainda.
- Esfriou tudo de novo. As florezinhas brancas vão morrer, tadinhas.
- Meus astros não colaboram com nada de legal!! Em compensação, eles disseram que várias pessoas vão me achar uma gênia essa semana.
- Eu to super, híper, ultra, mega orgulhosa da Jul.
- Dividir muffins fortalece amizades.
- As janelas lá do alto da sala dos computadores estão quebradas e não fecham!! Tava um frio da porra na aula hoje.
- Eu quero uma bota de chuva vermelha igualzinha à que eu vi vendendo, só que com o cano um pouco mais curto. Por que é tão difícil achar??
- Os garçons do Wagamama insinuam que todo mundo é gordo, pelo visto. Não é só comigo.
- Eu sinceramente não entendo o que está acontecendo com a minha franja.
- Hoje me deu vontade de comer tofu com amendoim. Mas eu resisti bravamente. Eu sabia que era um ímpeto de fome sem nenhuma relação com o que eu gosto de comer de verdade.
- Eu gosto de quem gosta de queijo. É bom ser compreendida nessa paixão. Meu pai queria banquinhos de queijo gigante, o Willie escolheu vários queijos horríveis no Borough Market, o Wallace (do Wallace and Gromit) construiu um foguete só pra conseguir queijo num feriado... Em breve, estarei comendo parmesão como se não houvesse amanhã. E alcachofras. E sorvete. E flor de abobrinha frita! E massas, e pizzas, e depois eu reclamo dos garçons do Wagamama, tadinhos, eles estão sendo perfeitamente razoáveis.
- To com fome, então vou comer em vez de continuar postando sobre comida. Ou então vou passar aspirador na casa. Um dos dois. Sério. To indo. Mesmo. Já vou. Daqui a 5 minutos. É isso aí. Força, Luisa.
- To com saudade da Tita!
- Acabei de ver na internet um vídeo de um bebê panda espirrando.
- Tá, tá, to indo aspirar a casa e/ou comer alguma coisa.
- Eu descobri que eu não odeio ficar fazendo o design de gráficos e tabelas, e isso foi uma surpresa pra mim.
- O português da minha sala sabe imitar sotaque de brasileiro. E ainda pergunta: "quer carioca ou nordestino?"
- Aparentemente o Matt Damon é mega no youtube chinês.
- "L" é uma letra com um ângulo chato. E uma caixa baixa mais chata ainda.
- Esfriou tudo de novo. As florezinhas brancas vão morrer, tadinhas.
- Meus astros não colaboram com nada de legal!! Em compensação, eles disseram que várias pessoas vão me achar uma gênia essa semana.
- Eu to super, híper, ultra, mega orgulhosa da Jul.
- Dividir muffins fortalece amizades.
- As janelas lá do alto da sala dos computadores estão quebradas e não fecham!! Tava um frio da porra na aula hoje.
- Eu quero uma bota de chuva vermelha igualzinha à que eu vi vendendo, só que com o cano um pouco mais curto. Por que é tão difícil achar??
- Os garçons do Wagamama insinuam que todo mundo é gordo, pelo visto. Não é só comigo.
- Eu sinceramente não entendo o que está acontecendo com a minha franja.
- Hoje me deu vontade de comer tofu com amendoim. Mas eu resisti bravamente. Eu sabia que era um ímpeto de fome sem nenhuma relação com o que eu gosto de comer de verdade.
- Eu gosto de quem gosta de queijo. É bom ser compreendida nessa paixão. Meu pai queria banquinhos de queijo gigante, o Willie escolheu vários queijos horríveis no Borough Market, o Wallace (do Wallace and Gromit) construiu um foguete só pra conseguir queijo num feriado... Em breve, estarei comendo parmesão como se não houvesse amanhã. E alcachofras. E sorvete. E flor de abobrinha frita! E massas, e pizzas, e depois eu reclamo dos garçons do Wagamama, tadinhos, eles estão sendo perfeitamente razoáveis.
- To com fome, então vou comer em vez de continuar postando sobre comida. Ou então vou passar aspirador na casa. Um dos dois. Sério. To indo. Mesmo. Já vou. Daqui a 5 minutos. É isso aí. Força, Luisa.
- To com saudade da Tita!
- Acabei de ver na internet um vídeo de um bebê panda espirrando.
- Tá, tá, to indo aspirar a casa e/ou comer alguma coisa.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Hmmm!
Hoje foi um dia bom!
Três refeições completas, tipo, de verdade, sem ser só cereal ou sanduiche. Hmmm!! Bom ter a Carol cozinhando aqui em casa! hehehe
Acordei quando acordei, depois de ter dormido cedo ontem – descansada, nem lembrava mais o que era isso. Tá, mais ou menos, acordei com o alarme perto da porta da cozinha apitando sei la por que e a Julia batendo na minha porta, mas eu tava descansada de qualquer jeito.
E fiz as coisas com calma, tive tempo até de limpar a prateleira do banheiro, consertar a internet, assistir seriado idiota na tv... Tomei sobremesa e litros e litros de chá com uma menina legal da sala, fui na Tate Modern e ainda terminei de imprimir meus pombos.
E eu comentei que fiz três refeições de verdade?
O jantar, então, foi especialmente bom, nós 3 sentamos à mesa e usamos taças irregulares e tudo. Foi irado. Carne e arroz e verduras e salada, tudo temperadinho e cheiroso, hmmm.
Só não estudei clarinete... Mas eu fiz 3 refeições completas. Mais o chá, a sobremesa e o starbucks. Hoje vou dormir realmente bem-alimentada. Hmmmm!..
Três refeições completas, tipo, de verdade, sem ser só cereal ou sanduiche. Hmmm!! Bom ter a Carol cozinhando aqui em casa! hehehe
Acordei quando acordei, depois de ter dormido cedo ontem – descansada, nem lembrava mais o que era isso. Tá, mais ou menos, acordei com o alarme perto da porta da cozinha apitando sei la por que e a Julia batendo na minha porta, mas eu tava descansada de qualquer jeito.
E fiz as coisas com calma, tive tempo até de limpar a prateleira do banheiro, consertar a internet, assistir seriado idiota na tv... Tomei sobremesa e litros e litros de chá com uma menina legal da sala, fui na Tate Modern e ainda terminei de imprimir meus pombos.
E eu comentei que fiz três refeições de verdade?
O jantar, então, foi especialmente bom, nós 3 sentamos à mesa e usamos taças irregulares e tudo. Foi irado. Carne e arroz e verduras e salada, tudo temperadinho e cheiroso, hmmm.
Só não estudei clarinete... Mas eu fiz 3 refeições completas. Mais o chá, a sobremesa e o starbucks. Hoje vou dormir realmente bem-alimentada. Hmmmm!..
segunda-feira, 25 de junho de 2007
Fromages
Ontem fizemos um passeio lindo! Fomos a Gruyères, aqui perto (onde se fabrica o queijo gruyère, surpeendentemente).
Vou contar tudinho, então, tintim por tintim, porque esse blog não é escrito por uma pessoa que gosta de exercitar seu poder de síntese.
Então lá vai.
O Romário viveu a vida inteira no Brasil, como uma pessoa que vive no Brasil, se locomove no Brasil, dirige de um lado pro outro e de vez em quando se perde mas sempre se encontra e nunca teve problema com isso no Brasil. Aí aqui deram pra ele um carro com GPS, pra ele não se perder, e ele, que viveu a vida toda sem isso, tá viciado na porra do GPS, e o maldito GPS me irrita profundamente. É uma voz em português do Brasil, com o nome de Gabriela (sim, ela tem um nome, já veio no menu do GPS), e ela interrompe as coisas que eu estou falando ou a conversa que eu estou tendo ou a música que eu estou ouvindo pra dizer frases estúpidas como "saia na saída" ou "daqui a oitocentos metros vire a direita na rotunda. Segunda saída." e tal.
E quando a gente decidiu passar o dia em Gruyères, curtindo o lindo passeio, a Gabriela GPS madou a gente pra auto-estrada e eu fiquei puta e fiquei xingando ela e o mundo durante uns 10 minutos, até eu notar que a auto-estrada é inacreditavelmente bonita, e aí eu relaxei. A gente botou um endereço qualquer em Gruyères, e pronto. Aí, chegando perto, a gente segue as indicações do GPS pra sair da auto-estrada, começamos a passar por cidadezinhas lindas, e eu histérica, tipo "vira ali! tem um castelo pra esquerda, olha! vira pra gente ir ver!" e a Gabriela dizendo "vire na próxima rua à direita", e eu discutindo loucamente com a máquina "naaaaaão!!! vira à esquerda pra gente ver o castelo!!! depois a gente volta!!!", e o Romário, coitado, duas mulheres dando ordens diferents pra ele, ele ficava confuso. Depois de insistir muito em convenci ele a se rebelar contra as ordens da Gabriela e virar à esquerda pra ver o castelo, e a fontezinha, e a cidadezinha linda onde a gente estava. A Gabriela ficava dizendo "retorne assim que for possível" e eu saltei do carro com o meu sorrisinho triunfante e tirei fotos do castelo. Tá, ok, seguimos nosso caminho, voltamos pro carro e fomos ouvir as instruções do GPS, que começaram a levar a gente pra fora da cidadezinha, por uma estrada mão-dupla estreitissima onde só dava pra passar um carro, e o Romário todo preocupado, e eu exultante com o fato de estar numa estrada pequenininha pelo meio dos campos e não na auto-estrada, e a gente passa por essa estrada, onde não tem NADA em volta, e de repente começamos a passar pelo meio de um bosque, árvores pelos dois lados, um túnel de árvores lindas lançando sombrinhas esverdeadas e aqueles fachos de luz que passam pelo meio das folhas no chão da estrada, e eu toda feliz, e o Romário todo desconfiado, de repente a Gabriela diz "chegou ao seu destino."
Tipo. No meio da estrada. Cercada de árvores. E mais nada. O Romário parou o carro e a gente começou a rir (se não fosse uma máquina eu poderia que jurar que tinha detectado um tonzinho de sarcasmo na voz gravada da Gabriela). Acho que o GPS ficou puto comigo porque eu fiquei reclamando e liderando um micro-motim contra as ordens autoritárias dela.
Mas tá, depois disso a gente achou outro endereço em Gruyères e obedecemos o GPS e chegamos lá sem problemas. E a cidade é linda, toda pequena e medieval e tem um castelo que nem é tão antigo pros padrões europeus, de mil quinhentos e pouco, pq o antigo mesmo pegou fogo... Mas é legal mesmo assim e a vista e linda, linda, linda. dá pra ver todas as colinas plantadinhas e as cidadezinhas pequenas e as montanhas escaradasno fundo e os bosques e as vaquinhas. Lindo, lindo. Super pacato e lindo.
E, é claro, comemos fondue e raclette de queijo gruyère, e o fondue tava absurdamente bom, e no fim da tarde eu comi frtas vrmelhas com o "crème double de Gruyères", que e tipo um creme de leite especialidade local, e tudo foi lindo.
Na volta, eu vi que o GPS tinha um jeito de selecionar "evitar auto-estradas", então voltamos por um caminho diferente, onde passamos por outro castelo fofo, e também foi lindo.
E já que meu diário de bordo inclui comentários sobre filmes e seriados e coisas nerds em geral (e não só castelos e queijos, embora castelos e queijos possam ser bem nerds, dependendo de como se desenvolve a narrativa), quando cheguei de volta em Lausanne fomos ver Piratas do Caribe 3. Aliás, uma coisa curiosa: aqui só alguns poucos cinemas e horários passam filme legendado, e a legenda e em duas línguas! A linha de cima em alemão, a de baixo em francês. Curioso. Mas tá, o filme: po... Aquela coisa, né. Mas ver o Johnny Depp nunca é ruim. Ver vários Johnnys Depps é melhor ainda.
E não e que meu poder de síntese tá melhorando? Esse comentário sobre o filme foi bem suscinto, eu achei.
E esse foi meu domingo!
Sábado foi meio desinteressante. mas tranquilo.
Vou contar tudinho, então, tintim por tintim, porque esse blog não é escrito por uma pessoa que gosta de exercitar seu poder de síntese.
Então lá vai.
O Romário viveu a vida inteira no Brasil, como uma pessoa que vive no Brasil, se locomove no Brasil, dirige de um lado pro outro e de vez em quando se perde mas sempre se encontra e nunca teve problema com isso no Brasil. Aí aqui deram pra ele um carro com GPS, pra ele não se perder, e ele, que viveu a vida toda sem isso, tá viciado na porra do GPS, e o maldito GPS me irrita profundamente. É uma voz em português do Brasil, com o nome de Gabriela (sim, ela tem um nome, já veio no menu do GPS), e ela interrompe as coisas que eu estou falando ou a conversa que eu estou tendo ou a música que eu estou ouvindo pra dizer frases estúpidas como "saia na saída" ou "daqui a oitocentos metros vire a direita na rotunda. Segunda saída." e tal.
E quando a gente decidiu passar o dia em Gruyères, curtindo o lindo passeio, a Gabriela GPS madou a gente pra auto-estrada e eu fiquei puta e fiquei xingando ela e o mundo durante uns 10 minutos, até eu notar que a auto-estrada é inacreditavelmente bonita, e aí eu relaxei. A gente botou um endereço qualquer em Gruyères, e pronto. Aí, chegando perto, a gente segue as indicações do GPS pra sair da auto-estrada, começamos a passar por cidadezinhas lindas, e eu histérica, tipo "vira ali! tem um castelo pra esquerda, olha! vira pra gente ir ver!" e a Gabriela dizendo "vire na próxima rua à direita", e eu discutindo loucamente com a máquina "naaaaaão!!! vira à esquerda pra gente ver o castelo!!! depois a gente volta!!!", e o Romário, coitado, duas mulheres dando ordens diferents pra ele, ele ficava confuso. Depois de insistir muito em convenci ele a se rebelar contra as ordens da Gabriela e virar à esquerda pra ver o castelo, e a fontezinha, e a cidadezinha linda onde a gente estava. A Gabriela ficava dizendo "retorne assim que for possível" e eu saltei do carro com o meu sorrisinho triunfante e tirei fotos do castelo. Tá, ok, seguimos nosso caminho, voltamos pro carro e fomos ouvir as instruções do GPS, que começaram a levar a gente pra fora da cidadezinha, por uma estrada mão-dupla estreitissima onde só dava pra passar um carro, e o Romário todo preocupado, e eu exultante com o fato de estar numa estrada pequenininha pelo meio dos campos e não na auto-estrada, e a gente passa por essa estrada, onde não tem NADA em volta, e de repente começamos a passar pelo meio de um bosque, árvores pelos dois lados, um túnel de árvores lindas lançando sombrinhas esverdeadas e aqueles fachos de luz que passam pelo meio das folhas no chão da estrada, e eu toda feliz, e o Romário todo desconfiado, de repente a Gabriela diz "chegou ao seu destino."
Tipo. No meio da estrada. Cercada de árvores. E mais nada. O Romário parou o carro e a gente começou a rir (se não fosse uma máquina eu poderia que jurar que tinha detectado um tonzinho de sarcasmo na voz gravada da Gabriela). Acho que o GPS ficou puto comigo porque eu fiquei reclamando e liderando um micro-motim contra as ordens autoritárias dela.
Mas tá, depois disso a gente achou outro endereço em Gruyères e obedecemos o GPS e chegamos lá sem problemas. E a cidade é linda, toda pequena e medieval e tem um castelo que nem é tão antigo pros padrões europeus, de mil quinhentos e pouco, pq o antigo mesmo pegou fogo... Mas é legal mesmo assim e a vista e linda, linda, linda. dá pra ver todas as colinas plantadinhas e as cidadezinhas pequenas e as montanhas escaradasno fundo e os bosques e as vaquinhas. Lindo, lindo. Super pacato e lindo.
E, é claro, comemos fondue e raclette de queijo gruyère, e o fondue tava absurdamente bom, e no fim da tarde eu comi frtas vrmelhas com o "crème double de Gruyères", que e tipo um creme de leite especialidade local, e tudo foi lindo.
Na volta, eu vi que o GPS tinha um jeito de selecionar "evitar auto-estradas", então voltamos por um caminho diferente, onde passamos por outro castelo fofo, e também foi lindo.
E já que meu diário de bordo inclui comentários sobre filmes e seriados e coisas nerds em geral (e não só castelos e queijos, embora castelos e queijos possam ser bem nerds, dependendo de como se desenvolve a narrativa), quando cheguei de volta em Lausanne fomos ver Piratas do Caribe 3. Aliás, uma coisa curiosa: aqui só alguns poucos cinemas e horários passam filme legendado, e a legenda e em duas línguas! A linha de cima em alemão, a de baixo em francês. Curioso. Mas tá, o filme: po... Aquela coisa, né. Mas ver o Johnny Depp nunca é ruim. Ver vários Johnnys Depps é melhor ainda.
E não e que meu poder de síntese tá melhorando? Esse comentário sobre o filme foi bem suscinto, eu achei.
E esse foi meu domingo!
Sábado foi meio desinteressante. mas tranquilo.
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